Como surgiu YRUPI

No começo ainda da guerra do Paraguai, em 1865, já existia um povoado com o nome de São Sebastião do Turvo. Esse povoado pertencia ao Município de Jaboticabal e os quarenta e sete alqueires de terra do povoado, pertencia à Diocese de São Carlos. Já em 1891, São Sebastião do Turvo, possuía cerca de sessenta casas e três igrejas, a do Padroeiro São Sebastião, a de Nossa Senhora Mãe dos Homens e de São Benedito. Foi então transformado em Distrito Policial. Pela Lei nº 663 de 06 de setembro de 1899, o Coronel Prestes de Albuquerque, Presidente do Estado de São Paulo, promulgou mencionada lei, que havia sido aprovada pelo Congresso Legislativo do Estado, elevando São Sebastião do Turvo à categoria de Distrito de Paz.
O então Distrito estava jurisdicionado ao Município e Comarca de Jaboticabal. Foi assim instalado o Cartório de Registro Civil e Anexos, sendo que já existia ali, o posto de Correios e Telégrafos. No dia 29 de dezembro de 1915, através da Lei nº 1493, no seu artigo primeiro, São Sebastião do Turvo, passava para a história com o nome de YRUPI. Era então uma cidade esparramada, com cerca de duzentas casas e apenas no centro da cidade, ao redor da praça central, umas sessenta casas se acumulavam. A população de então era estimada e dez mil habitantes. Em determinada época a Diocese vendeu todo o Patrimônio do Distrito, e para a Cúria Diocesana, foi reservada apenas uma pequena área onde estava construída a igreja em louvor a São Sebastião e a área do cemitério, que se encontra hoje em ruínas. Existia o prédio da Cadeia Pública, Correios e Telégrafos, uma padaria, uma serraria, um Cartório de Registro Civil, uma farmácia, uma máquina de beneficiamento de arroz, uma máquina de beneficiamento de café, vários estabelecimentos comerciais ou casas de secos e molhados e uma fábrica de refrigerantes. Com o crescimento havido, chegaram a Yrupi, elementos indesejáveis e ali inclusive se formou uma grande quadrilha de ladrões de cavalos, que ficou conhecida em toda a região do Estado. Era a década de 1915 a 1925.

Quadrilha de ladrões de cavalos

Yrupi e todas as pequenas cidades do interior do Estado, não possuíam policiamento próprio. Todas as vezes que se fizessem necessárias, o Sub-Delegado chamava a polícia de Araraquara que pertencia ao Departamento de Vigilância e Capturas do Estado de São Paulo.
Formou-se uma quadrilha de ladrões de cavalos que aterrorizava a região. Vale aqui lembrar aos leitores, que na época dos fatos ocorridos, o cavalo era um dom precioso e praticamente o único meio de transporte existente. A policia de capturas, como era conhecida, esteve inúmeras vezes em nosso povoado e nada descobriu de concreto. Vinha de caminhão toldado e requisitava quando preciso, animais e arreamentos para diligências policiais nos arredores.
Mais um crime grave havia acontecido. A quadrilha que era comandada por Domingos Ferreira, conhecido popularmente como “Dominguinhos” e seu irmão Ovídio Ferreira, também conhecido pelo apelido de “Vidinho”, determinaram a seus membros que matassem Antônio Facho de Abreu. Esse elemento era já inconveniente para a quadrilha, pois segundo constava, a quadrilha havia sido denunciada e o delator apuraram os chefes, era Antônio Facho de Abreu. Portanto, sua morte foi decretada e antes dela, muitas outras, pois a quadrilha possuía também pistoleiros de aluguel, que por dinheiro, matavam.
Foi assim que o Dr. Benedito da Costa Neto, intimando os menos envolvidos na quadrilha, ouvindo-os e dispensando-os logo a seguir, com a promessa de que tudo faria para não incriminá-los.. Assim foi, que dentro de quinze dias, mais de vinte pessoas envolvidas nos crimes e furtos de cavalos, foram ouvidas. O Delegado jogava uns contra os outros e os resultados eram brilhantes. Tudo estava concluído, os mandantes e os executores dos crimes estavam identificados.
Yrupi já não mais existia. A cidade estava morta. A malária grassava.
A propaganda feita pelos viajantes que por aqui passavam que sentiam a cada vez que aqui vinham como a cidade crescia. São Benedito do Paraíso ficou conhecida regionalmente como VILA NOVA.
Em 1930, dois anos apenas de sua fundação, José Catalino já liderava um movimento, para elevar o povoado que acabava de surgir à categoria de Distrito. Foi assim, que no dia 17 de agosto de 1933, através do Decreto 6034, assinado pelo então Governador do Estado Armando de Sales Oliveira, São Benedito do Paraíso era elevado à categoria de Distrito no Município e Comarca de Jaboticabal.
Ainda em 1930 foi instalada em Paraíso a primeira máquina de benefício de arroz.
A primeira casa comercial, foi instalada logo após a fundação da cidade ou do povoado e o pioneiro foi o Sr. Sylvio Casarini, que a construiu na esquina da rua São João com a rua XV de Agosto.
Construí-se a primeira máquina de benefício de café de proprietário de Onésimo da Costa.
Retornando a 1928, vale lembrar que com a fundação do nosso então povoado, foi instalada uma padaria.
O povoado começou a ganhar vida e prosperava. A zona rural era constituída por famílias que até hoje mantém o seu vínculo nessas terras. Somos sabedores de que luta incansável de cada um, unida ao esforço de todos, conseguiram criar uma cidade acolhedora, orgulho de todos nós.
Em 1932 mudou-se para São Benedito do Paraíso, o Sr. Antônio Atab, que havia comprado a máquina de café e o armazém de Secos e Molhados de Sylvio Casarini.
Antônio Atab foi o primeiro a adquirir um motor para produção de energia elétrica e inclusive iluminou com essa energia a quermesse da paróquia ou da Igreja Matriz e também iluminou o circo de Irmãos Elias.
Já em 1933, Vila Paraíso,já possuía uma rede particular de energia elétrica, com cerca de cinqüenta postes, que levavam energia através dos fios às casas que então existiam. A energia de então era produzida através de vapor com caldeira, que por sua vez acionava um dínamo.

Como se conseguiu a rede elétrica

No ano de 1948, foi criado uma comissão de moradores da cidade de Paraíso, para pleitearem junto ao governo do Estado e ao Governo Federal, a autorização para a extensão da rede que se encontrava já no Município de Pirangi. A comissão indo para a Capital do Estado, foi recebida pelo então governador Ademar de Barros, em audiência.
A Comissão recebeu uma verba de cem mil cruzeiros do Governador do Estado, Ademar de Barros, tudo ficava mais fácil, pois o dinheiro estava conseguido.
Elementos da comissão tiveram então que pelo menos por dez vezes se dirigirem ao Rio de Janeiro, então Capital da República, para conseguirem a autorização. Finalmente no mesmo ano a autorização foi conseguida e assinada pelo Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra.
A rede que traria a energia para Paraíso, estava praticamente pronta. Porém, novos postes precisavam ser comprados, bem como fios e transformadores, para se colocar a rede na cidade. Nova campanha foi feita e inclusive Pirangi, sede do nosso distrito, doou trinta mil cruzeiros, para ajudar na compra do material faltante. Foram ainda compradas as luminárias para a iluminação das ruas da cidade.
O dia da inauguração era ansiosamente esperado, não só pela comissão, que agora via que o esforço conjunto, o trabalho unido, mas todo o povo estava ansioso. Paraíso estava passando para o futuro. A história começaria dali para frente, o progresso começaria a chegar e a vida seria mais amena.
O vento ou furacão destelhou inúmeras casas, arrancou grandes quantidades de árvores, acabou com matas inteiras.
Como se isso já não bastasse, a chuva de granizo causou o maior prejuízo de nossa história. Destruiu todos os mandiocais existentes, todos os pés de mamão e como se isso não bastasse, arruinou toda a lavoura cafeeira e queimou todos os pastos.
Os prejuízos foram incalculáveis e uma tristeza se apossou de todo o povo.
Porém, a vida continuava e era preciso recomeçar.
O povo de Paraíso não se deixaria vencer, tanto é que a luta continuou e nossa cidade progrediu.

Os caminhos da emancipação política

Leia o texto completo clicando aqui

 

Localização

O Município de Paraíso, localiza-se no Centro Norte do Estado de São Paulo, em área de externo domínio de formação adamantina ( Grupo Bauru), que na cota 590 m tem uma espessura aproximada de 150 mts. O município conta com uma população de 5.559 habitantes, sendo 4.817 habitantes, residentes da zona urbana e 742 na zona rural, do total, 2.842 homens e 2.717 mulheres.


View Larger Map